terça-feira, 11 de agosto de 2015

O Trabalho na perspectiva de Carl Marx




O jornalista, redator, ativista político e pensador Carl Marx nasce em 1818, tendo em sua produção intelectual coberto uma dinâmica conjuntura social, desde a pré-unificação da Alemanha, onde nasceu, até a Inglaterra fabril e imperialista, onde faleceu em 1883. Marx observa e teoriza especialmente sobre o fenômeno das primeiras relações de conflito entre industriais capitalistas e trabalhadores assalariados, no berço da revolução industrial, evidenciando o fenômeno da intensa produção de riqueza social que beneficiava uma minoria proprietária dos meios de produção em detrimento de uma maioria produtora mas empobrecida, e direciona sua argumentação para a crítica das relações sociais e de produção, eminentemente conflituosas, e para as dissidências da ordem capitalista e as transformações inerentes às suas próprias contradições: “Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.” (MARX, 2004a, p. 111).

A partir do capitalismo avançado na Inglaterra e do desenvolvimento do capiltalismo ocidental, Marx quer compreender como as condições contraditórias, materiais e existenciais, desse novo sistema produtivo e econômico, geram formas de expressão social e política capazes de revolucionar a organização da sociedade, a partir do estudo das contradições dessa sociedade capitalista que conduzem à sua própria superação, com foco analítico no historicismo dialético, ou seja, na dinâmica das transformações: “A história de todas as sociedades até hoje é a história da luta de classes” (MARX & ENGELS, 2004b, p. 45).

O argumento e a narrativa de Marx são construídos a partir da dialética entre sujeito e objeto, com base no pressuposto de que o homem forma o mundo em que vive e por ele também é formado. Usa os conceitos de trabalho alienado e mais-valia; luta de classes e a consciência de classe; conflito, mercadoria e fetiche como centrais em sua análise. A existência, a criação e a emancipação são os princípios norteadores de Marx, com ênfase teórica na economia e nas relações de produção, com o trabalho como ponto de partida de sua teoria social.

Sem usar a abstração como ferramenta de análise social, mas com base no materialismo histórico e dialético como método, Marx considera o trabalho como a materialização da forma como os indivíduos retiram da natureza sua sobrevivência, sendo que a vida e as condições materiais dos indivíduos estão ligadas diretamente à forma como produzem seu sustento: “Não é a consciência que determina a vida, mas a vida é que determina a consciência.” (MARX & ENGELS, 2004a, p. 52). Marx identifica assim que, quando o ser humano modifica a natureza para produzir seu sustento, de alguma forma ele próprio sofre modificações. Mas o trabalho não é, para Marx, apenas uma relação dialética entre a natureza e o ser humano: o modo de produção da vida material (escravismo, feudalismo, capitalismo, socialismo), por meio das relações sociais de produção (e consumo), condiciona a vida social, política, ideológica e espiritual de todas as pessoas.

O capitalismo é um “sistema econômico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, e pela existência de trabalhadores livres e assalariados, que vendem a única coisa que lhes restou: sua força de trabalho” (PEDDE, 2013). E no sistema capitalista de produção, segundo Marx, o trabalho se transforma em mera mercadoria, cujo custo é o valor suficiente para garantir a sobrevivência do trabalhador que transformará o capital acumulado pelo capitalista em mercadorias muito mais valiosas que o valor do seu trabalho. A diferença entre o valor do trabalho produtor, e a mercadoria produzida por esse trabalho, é o que Marx pioneiramente conceitua como mais-valia, sempre apropriada e acumulada pelo capitalista, que nada produziu. Nessa lógica, quanto mais o trabalhador produz, menos ele custa, mais se desvaloriza, e mais enriquece o capitalista.


O trabalho, que originalmente é conceituado como a exteriorização de nosso interior, como processo positivo e criativo, perde essas características após a revolução industrial, para se transformar no que Marx define como trabalho alienado: de processo livre e criativo de produção da própria sobrevivência, transforma-se em mera obrigação para poder sobreviver: “o operário nem sequer considera o trabalho como parte de sua vida; para ele é, antes, um sacrifício de sua vida. É uma mercadoria por ele transferida para um terceiro” (MARX, 1982. p. 150). No capitalismo, o trabalho transforma-se, de ato de criação a serviço do progresso de todos, em rotina de produção a serviço do enriquecimento de alguns. E também em instrumento da própria alienação do trabalhador. O trabalho alienado, característica do modo de produção capitalista, é um trabalho de sacrifício, de mortificação. Não pertence ao trabalhador, mas sim a outra pessoa, que o compra pelo preço vil da mera sobrevivência de seu verdadeiro dono, para se locupletar com a mais-valia, cada vez maior, por ele produzida. 

domingo, 14 de setembro de 2014

Dá pra viver sem política?


A política, ou o esteriótipo em que ela se transformou, tem cada vez menos importância na vida das pessoas. Mas ela é a essência do relacionamento social e está presente nas nossas mais variadas atividades e vivências cotidianas. Desde os relacionamentos com nossos filhos e alunos, que seguem em geral um intrigado jogo de negociações e poder, até a nossa vida profissional, pessoal e amorosa. Estamos, mesmo sem perceber, diariamente exercendo a política.
A política como forma de convencimento ou de cessão; a política como meio de escolha nos mais variados assuntos, da melhor forma pedagógica na escola ao passeio escolhido para o final de semana em família. Política é, enfim, o meio do qual nos apropriamos para debater, convencer, ceder e fazer escolhas nas mais variadas ocasiões de nosso relacionamento social. Sem a política, que é a disputa sadia de interesses opostos, o ser humano não poderia viver em sociedade.
Porém, o termo tomou, há algum tempo, outra conotação. Virou sinônimo de busca de privilégio, de má intenção, de oportunismo e de mesquinharia. A política, tão indispensável ao nosso convívio, transformou-se em sinônimo de imoralidade e de ausência ética, graças ao insistente foco, oportunista e sensacionalista, na atuação de muitos atores políticos, cujo individualismo, a falta de senso comunitário e até mesmo de honestidade, transformaram este nobre meio de manutenção da convivência social em algo passível de se repudiar. O objetivo dessa difamação da política, escondida atrás da mera 'divulgação da verdade', é a construção de uma realidade exageradamente negativa, a esconder todo benefício da política e afastar os bons cidadãos da atuação política, pela imposição de uma imagem depreciativa da atuação política, em especial a partidária e eleitoral, caminho democrático de acesso ao poder estatal e ao comando do orçamento público.
Vejo a necessidade de resgatar o termo política como sinônimo de convivência social, como ferramenta para se viver em harmonia com todos os que nos rodeiam. Como necessidade vital para a convivência em sociedade. Praticar política não pode mais ser visto com negatividade, como algo que não está à nossa altura, mesmo porque até mesmo esta equivocada escolha é uma escolha política. Afinal, alardear que a “política” não presta, que é coisa de quem não tem escrúpulos, é em si mesmo uma atitude e um convencimento político a comprovar a importância e a necessidade da política em nossas vidas. Neste exato momento, estamos praticando-a, você lendo este arrazoado, e eu tentando convencê-lo de meu entendimento. E estamos fazendo política sem más-intenções, sem sentimentos negativos, apenas praticando a necessária e sempre bem-vinda política.

O estudo e a prática da política traz ao ser humano a imprescindível vivência social de que tanto necessita em sua vida. Estes estudo e prática dão-lhe a capacidade de discernimento entre o que acredita ser certo e errado, desenvolvendo nele a capacidade de argumentar, de aquiescer, de convencer e de ser convencido, de discernir entre as mais variadas formas de se encarar um problema e de se encontrar a solução mais viável para ele. Trazem o desenvolvimento da argumentação e da escrita, de forma culta e civilizada. Desenvolvem o respeito pela palavra tanto escrita como oral e pelas idéias que delas emanam, bem como a capacidade de escutar e ser escutado. Habilitam sentimentos como os de humanidade, respeito, urbanidade e democracia. Afastam aos poucos sentimentos comuns da vida moderna, como o individualismo, a mesquinhez, a intolerância, o preconceito e o egoísmo. Confirmam que o diálogo é a melhor forma de resolução de quaisquer problemas na convivência humana. A prática política traz alguns acirramentos, mas as legítimas afinidades conquistadas sempre os compensam.

sábado, 13 de setembro de 2014

O trabalho dignifica ... quem?

O jornalista, redator, ativista político e pensador Carl Marx nasce em 1818, tendo em sua produção intelectual coberto uma dinâmica conjuntura social, desde a pré-unificação da Alemanha, onde nasceu, até a Inglaterra fabril e imperialista, onde faleceu em 1883. Marx observa e teoriza especialmente sobre o fenômeno das primeiras relações de conflito entre industriais capitalistas e trabalhadores assalariados, no berço da revolução industrial, evidenciando o fenômeno da intensa produção de riqueza social que beneficiava uma minoria proprietária dos meios de produção em detrimento de uma maioria produtora mas empobrecida, e direciona sua argumentação para a crítica das relações sociais e de produção, eminentemente conflituosas, e para as dissidências da ordem capitalista e as transformações inerentes às suas próprias contradições: “Com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens.” (MARX, 2004a, p. 111).

A partir do capitalismo avançado na Inglaterra e do desenvolvimento do capitalismo ocidental, Marx quer compreender como as condições contraditórias, materiais e existenciais, desse novo sistema produtivo e econômico, geram formas de expressão social e política capazes de revolucionar a organização da sociedade, a partir do estudo das contradições dessa sociedade capitalista que conduzem à sua própria superação, com foco analítico no historicismo dialético, ou seja, na dinâmica das transformações: “A história de todas as sociedades até hoje é a história da luta de classes” (MARX & ENGELS, 2004b, p. 45).

O argumento e a narrativa de Marx são construídos a partir da dialética entre sujeito e objeto, com base no pressuposto de que o homem forma o mundo em que vive e por ele também é formado. Usa os conceitos de trabalho alienado e mais-valia; luta de classes e a consciência de classe; conflito, mercadoria e fetiche como centrais em sua análise.A existência, a criação e a emancipação são os princípios norteadores de Marx, com ênfase teórica na economia e nas relações de produção, com o trabalho como ponto de partida de sua teoria social.

Sem usar a abstração como ferramenta de análise social, e com base no materialismo histórico e dialético como método, Marx considera o trabalho como a materialização da forma como os indivíduos retiram da natureza sua sobrevivência, sendo que a vida e as condições materiais dos indivíduos estão ligadas diretamente à forma como produzem seu sustento: “Não é a consciência que determina a vida, mas a vida é que determina a consciência.” (MARX & ENGELS, 2004a, p. 52). Marx identifica assim que, quando o ser humano modifica a natureza para produzir seu sustento, de alguma forma ele próprio sofre modificações. Mas o trabalho não é, para Marx, apenas uma relação dialética entre a natureza e o ser humano: o modo de produção da vida material (escravismo, feudalismo, capitalismo, socialismo), por meio das relações sociais de produção, condiciona a vida social, política, ideológica e espiritual de todas as pessoas.

O capitalismo é um “sistema econômico caracterizado pela propriedade privada dos meios de produção, e pela existência de trabalhadores livres e assalariados, que vendem a única coisa que lhes restou: sua força de trabalho” (PEDDE, 2013). E no sistema capitalista de produção, segundo Marx, o trabalho se transforma em mera mercadoria, cujo custo é o valor suficiente para garantir a sobrevivência do trabalhador que transformará o capital acumulado pelo capitalista em mercadorias muito mais valiosas que o valor do seu trabalho. A diferença entre o valor do trabalho produtor, e a mercadoria produzida por esse trabalho, é o que Marx pioneiramente conceitua como mais-valia, sempre apropriada e acumulada pelo capitalista, que nada produziu. Nessa lógica, quanto mais o trabalhador produz, menos ele custa, mais se desvaloriza, e mais enriquece o capitalista.


O trabalho, que originalmente é conceituado como a exteriorização de nosso interior, como processo positivo e criativo, perde essas características após a revolução industrial, para se transformar no que Marx define como trabalho alienado: de processo livre e criativo de produção da própria sobrevivência, transforma-se em mera obrigação para poder sobreviver: “o operário nem sequer considera o trabalho como parte de sua vida; para ele é, antes, um sacrifício de sua vida. É uma mercadoria por ele transferida para um terceiro” (MARX, 1982. p. 150). No capitalismo, o trabalho transforma-se, de ato de criação a serviço do progresso de todos, em rotina de produção a serviço do enriquecimento de alguns. E também em instrumento da própria alienação do trabalhador. O trabalho alienado, característica do modo de produção capitalista, é um trabalho de sacrifício, de mortificação. Não pertence ao trabalhador, mas sim a outra pessoa, que o compra pelo preço vil da mera sobrevivência de seu verdadeiro dono, para se locupletar com a mais-valia, cada vez maior, por ele produzida. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades sociais: Onde eu li isso?


A igualdade é objetivo preambular da Constituição brasileira, assim como “erradicar a pobreza” e “reduzir as desigualdades sociais” são objetivos fundamentais da nossa república. Mas esses desafios são gigantescos num país constituído como colônia imperial, loteado pelo patrimonialismo patriarcal, pelo coronelismo, pelo compadrio e pelo colonialismo, que desde sempre distribuiu de forma injusta tanto a terra nacional quanto o fruto do trabalho coletivo de sua construção, formatando uma sociedade injusta, de classes muito desiguais, tanto do ponto e vista marxista, quanto weberiano.

O cínico liberalismo à brasileira, que nunca deixou de se locupletar do Estado para manter e reproduzir os privilégios da burguesia e dos barões capitalistas, desde o século XIX, teve de ceder em meados do século XX, aqui e ali, na implementação de alguns parcos e controlados direitos, na apavorada posição de ceder uns anéis para não perder os dedos. Após o fracasso econômico do desenvolvimentismo dos anos 50, uma indolente tentativa de redefinir os marcos de distribuição primitiva das riquezas nacionais, terminou em dissolução democrática e implementação de um regime nebuloso e totalitário civil-militar. O recado da elite estava dado: Não será fácil redistribuir as riquezas em nosso (deles) pais.

Passada a trágica aventura neoliberal que se seguiu à redemocratização do país, um partido surgido da luta social e sindical, após três tentativas eleitorais e o redesenho estratégico de seus princípios socialistas, toma o poder com apoio popular e com as promessas de combater a injustiça social sem desmanchar o aparato capitalista que a sustenta. E após acalmar os poderosos mercados com o cumprimento da segunda promessa, inicia uma série de projetos governamentais na tentativa de cumprir a primeira.
O Programa Bolsa Família, (PBF) que faz parte de um Plano denominando Brasil sem Miséria, torna-se o esteio do cumprimento daquela promessa, juntamente com programas de acesso a moradia popular, qualificação profissional e inclusão educacional, e também por meio de ações econômicas calcadas no crescimento sustentável, valorização da renda mínima e combate ao desemprego.

O PBF, em menos de uma década, tira milhões de famílias da linha da miséria extrema, e ajuda outros milhões de famílias a ascenderem de classe social, por meio de repasses de recursos financeiros diretos e condicionais à famílias de baixa renda. E as condicionantes desses repasses são a garantia de que o programa não foi pensado para ser eternizado como mero “ajutório governamental” ao sempre pobres, para sempre.

A obrigatoriedade do pré-natal completo das gestantes beneficiadas ajudou o país a reduzir a mortalidade infantil e atingir a meta dos objetivos do milênio da ONU nessa questão anos antes do prazo determinado. A obrigatoriedade da frequência escolar mínima para as crianças beneficiadas é responsável por tirar milhões de crianças da rua, da mendicância, da exposição ao tráfico e dos semáforos das grandes metrópoles, dando-lhes condições de, pela primeira vez em séculos, quebrar o ciclo da miséria geracional, com base na escolarização e na educação.


O PBF tem , ainda , o mérito de não ser um programa estático, e de buscar nos mais recônditos campos e periferias, famílias em situação de miséria e pobreza, para incluí-las no programa, e tem aumentado sistematicamente com esse movimento, tanto o número de beneficiários quanto os níveis mínimos de repasses e a importância do programa. Mas também tem registrado, em sentido contrário, milhares de evasões de beneficiários que, após anos de sustentação estatal, ascenderam socialmente, com ajuda não só do PBF, mas dos programas paralelos de formação, capacitação e empregabilidade, a ponto de não mais se enquadrarem nos critérios mínimos de renda para a percepção do benefício.

Os ataques ferrenhos, e não raro desonestos, da burguesia decadente, da elite remanescente e da oposição política, tanto por meio da atuação parlamentar democrática, mas mais ainda por ação dos instrumentos de manipulação midiática por ela controlados econômica ou ideologicamente, é talvez a prova mais substancial do alcance social dessa medidas de combate à desigualdade e à miséria que, desde sempre estiveram latentes e, não raro, sustentaram a confortável posição da classe dominante em nosso país.

Como o consumo consome sua vida.



“O capitalismo não entregou os bens às pessoas; as pessoas foram crescentemente entregues aos bens”
Jeremy Seabrook

A vida contemporânea está alicerçada em pilares que constituem e configuram sua realidade social, econômica, política e cultural. O consumo, como consequência da sociedade pós-capitalista, e seu fenômeno correlato, o consumismo, constituem um desses pilares. A mercadoria passa a ser o centro da atividade e da satisfação humanas. Até mesmo o trabalho se transforma em mera mercadoria, com demanda, preço e valor ditados pelo mercado, reduzindo o trabalhador a mero vendedor de mão de obra.

E essa efêmera satisfação humana, baseada no mero consumo, que por óbvio não dá conta de satisfazer as complexas necessidades humanas, se torna cada vez mais calcada no desejo alimentado pela publicidade, que cada vez mais vende o valor simbólico incutido subjetivamente na mercadoria, desprezando muitas vezes seu valor funcional. Faz até os mais espertos acreditarem que a felicidade, a beleza ou vitalidade advirão da compra de certa marca de margarina, carro de luxo ou refrigerante.

A indústria do entretenimento, em especial aquele de massa, e sua relação direta com a publicidade, se constitui em outro dos pilares da vida contemporânea. Ela é explorada pelos meios de comunicação, caracterizados pela divulgação indiscriminada não só de mercadorias, mas também, subjetivamente, de “práticas discursivas, estilos de vida, identidades grupais, ideias, signos e símbolos”(NERY, 2013, p.17)1. Essa indústria investe pesado na associação entre consumo e pertencimento, consumo e status, consumo e destaque social, estabelecendo padrões e dirigindo condutas e comportamentos que geram ações de consumo sem crítica e reflexão, transformando o cidadão em mero e emburrecido consumidor de símbolos.

E esse consumidor, no capitalismo pós-moderno, deve ser constantemente produzido, (BAUMAN, 2001), para que cada vez mais o 'ser' ceda lugar ao 'ter', criando uma sociedade onde o cidadão só é considerado e aceito se for consumidor. Uma sociedade onde a pessoa é essencialmente aquilo que pode comprar. E essa publicidade, hoje multimídia, necessidade vital do capitalismo consumista, com suas modas, estigmas e manipulações sentimentais, tem criado uma sociedade cada vez mais baseada no imediatismo, na competição, na impessoalidade, na intolerância e na discriminação.
1.Sociedade e contemporaneidade. Ana Regina Falkembach Simão [et al.]. - Canoas: Ed. ULBRA, 2013. 146p