O
jornalista, redator, ativista político e pensador Carl Marx nasce em
1818, tendo em sua produção intelectual coberto uma dinâmica
conjuntura social, desde a pré-unificação da Alemanha, onde
nasceu, até a Inglaterra fabril e imperialista, onde faleceu em
1883. Marx observa e teoriza especialmente sobre o fenômeno das
primeiras relações de conflito entre industriais capitalistas e
trabalhadores assalariados, no berço da revolução industrial,
evidenciando o fenômeno da intensa produção de riqueza social que
beneficiava uma minoria proprietária dos meios de produção em
detrimento de uma maioria produtora mas
empobrecida, e direciona sua argumentação para
a crítica
das relações sociais e de produção, eminentemente conflituosas, e
para as dissidências da ordem capitalista e as transformações
inerentes às suas próprias contradições: “Com
a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a
desvalorização do mundo dos homens.” (MARX, 2004a, p. 111).
A partir
do capitalismo avançado na Inglaterra e do desenvolvimento do
capitalismo ocidental, Marx quer compreender como as condições
contraditórias, materiais e existenciais, desse
novo sistema produtivo e econômico, geram formas de expressão
social e política capazes de revolucionar a organização da
sociedade, a partir do estudo das contradições dessa sociedade
capitalista que conduzem à sua própria superação, com foco
analítico no historicismo dialético, ou seja, na dinâmica das
transformações: “A história de todas as sociedades até hoje é
a história da luta de classes” (MARX & ENGELS, 2004b, p. 45).
O
argumento e a narrativa de Marx são construídos a partir da
dialética entre sujeito e objeto, com base no pressuposto de que o
homem forma o mundo em que vive e por ele também é formado. Usa os
conceitos de trabalho alienado e mais-valia; luta de classes e a
consciência de classe; conflito, mercadoria e fetiche como centrais
em sua análise.A existência, a criação e a emancipação são os
princípios norteadores de Marx, com ênfase teórica na economia e
nas relações de produção, com o trabalho como ponto de partida de
sua teoria social.
Sem
usar a abstração como ferramenta de análise social, e com base no
materialismo histórico e dialético como método, Marx considera o
trabalho como a materialização da forma como os indivíduos retiram
da natureza sua sobrevivência, sendo que a vida e as condições
materiais dos indivíduos estão ligadas diretamente à forma como
produzem seu sustento: “Não é a consciência que determina a
vida, mas a vida é que determina a consciência.” (MARX &
ENGELS, 2004a, p. 52). Marx identifica assim que, quando o ser humano
modifica a natureza para produzir seu sustento, de alguma forma ele
próprio sofre modificações. Mas o trabalho não é, para Marx,
apenas uma relação dialética entre a natureza e o ser humano: o
modo de produção da vida material (escravismo, feudalismo,
capitalismo, socialismo), por meio das relações sociais de
produção, condiciona a vida social, política, ideológica e
espiritual de todas as pessoas.
O
capitalismo é um “sistema econômico caracterizado pela
propriedade privada dos meios de produção, e pela existência de
trabalhadores livres e assalariados, que vendem a única coisa que
lhes restou: sua força de trabalho” (PEDDE, 2013). E no sistema
capitalista de produção, segundo Marx, o trabalho se transforma em
mera mercadoria, cujo custo é o valor suficiente para garantir a
sobrevivência do trabalhador que transformará o capital acumulado
pelo capitalista em mercadorias muito mais valiosas que o valor do
seu trabalho. A diferença entre o valor do trabalho produtor, e a
mercadoria produzida por esse trabalho, é o que Marx pioneiramente
conceitua como mais-valia, sempre apropriada e acumulada pelo
capitalista, que nada produziu. Nessa lógica, quanto mais o
trabalhador produz, menos ele custa, mais se desvaloriza, e mais
enriquece o capitalista.
O trabalho, que originalmente é conceituado como a exteriorização de nosso interior, como processo positivo e criativo, perde essas características após a revolução industrial, para se transformar no que Marx define como trabalho alienado: de processo livre e criativo de produção da própria sobrevivência, transforma-se em mera obrigação para poder sobreviver: “o operário nem sequer considera o trabalho como parte de sua vida; para ele é, antes, um sacrifício de sua vida. É uma mercadoria por ele transferida para um terceiro” (MARX, 1982. p. 150). No capitalismo, o trabalho transforma-se, de ato de criação a serviço do progresso de todos, em rotina de produção a serviço do enriquecimento de alguns. E também em instrumento da própria alienação do trabalhador. O trabalho alienado, característica do modo de produção capitalista, é um trabalho de sacrifício, de mortificação. Não pertence ao trabalhador, mas sim a outra pessoa, que o compra pelo preço vil da mera sobrevivência de seu verdadeiro dono, para se locupletar com a mais-valia, cada vez maior, por ele produzida.

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