A política, ou o esteriótipo em que ela se transformou, tem cada vez menos importância na vida das pessoas. Mas ela é a essência do relacionamento social
e está presente nas nossas mais variadas atividades e vivências cotidianas.
Desde os relacionamentos com nossos filhos e alunos, que seguem em
geral um intrigado jogo de negociações e poder, até a nossa vida
profissional, pessoal e amorosa. Estamos, mesmo sem perceber,
diariamente exercendo a política.
A política como forma de
convencimento ou de cessão; a política como meio de escolha nos
mais variados assuntos, da melhor forma pedagógica na escola ao
passeio escolhido para o final de semana em família. Política é,
enfim, o meio do qual nos apropriamos para debater, convencer, ceder
e fazer escolhas nas mais variadas ocasiões de nosso relacionamento
social. Sem a política, que é a disputa sadia de interesses opostos, o ser humano não poderia viver em
sociedade.
Porém, o termo tomou, há algum tempo, outra conotação.
Virou sinônimo de busca de privilégio, de má intenção, de
oportunismo e de mesquinharia. A política, tão indispensável ao
nosso convívio, transformou-se em sinônimo de imoralidade e de
ausência ética, graças ao insistente foco, oportunista e
sensacionalista, na atuação de muitos atores políticos, cujo
individualismo, a falta de senso comunitário e até mesmo de
honestidade, transformaram este nobre meio de manutenção da
convivência social em algo passível de se repudiar. O objetivo dessa difamação da política,
escondida atrás da mera 'divulgação da verdade', é a construção de uma realidade exageradamente negativa, a esconder todo benefício da
política e afastar os bons cidadãos da atuação política, pela imposição de uma imagem depreciativa da atuação política, em especial a partidária e eleitoral, caminho democrático
de acesso ao poder estatal e ao comando do orçamento público.
Vejo a necessidade de resgatar o termo política como sinônimo de convivência social, como ferramenta para
se viver em harmonia com todos os que nos rodeiam. Como necessidade
vital para a convivência em sociedade. Praticar política não pode
mais ser visto com negatividade, como algo que não está à nossa
altura, mesmo porque até mesmo esta equivocada escolha é uma
escolha política. Afinal, alardear que a “política” não
presta, que é coisa de quem não tem escrúpulos, é em si mesmo uma
atitude e um convencimento político a comprovar a importância e a necessidade da política em nossas
vidas. Neste exato momento, estamos praticando-a, você lendo este
arrazoado, e eu tentando convencê-lo de meu entendimento. E estamos
fazendo política sem más-intenções, sem sentimentos negativos,
apenas praticando a necessária e sempre bem-vinda política.
O estudo e a prática da política traz ao ser humano a imprescindível vivência social de que tanto necessita em sua vida. Estes estudo e prática dão-lhe a capacidade de
discernimento entre o que acredita ser certo e errado, desenvolvendo
nele a capacidade de argumentar, de aquiescer, de convencer e de ser
convencido, de discernir entre as mais variadas formas de se encarar
um problema e de se encontrar a solução mais viável para ele.
Trazem o desenvolvimento da argumentação e da escrita, de forma culta e
civilizada. Desenvolvem o respeito pela palavra tanto escrita como
oral e pelas idéias que delas emanam, bem como a capacidade de escutar e ser escutado. Habilitam
sentimentos como os de humanidade, respeito, urbanidade e democracia.
Afastam aos poucos sentimentos comuns da vida moderna, como o
individualismo, a mesquinhez, a intolerância, o preconceito e o egoísmo. Confirmam que o diálogo é
a melhor forma de resolução de quaisquer problemas na convivência
humana. A prática política traz alguns acirramentos, mas as
legítimas afinidades conquistadas sempre os compensam.

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Como na vida real, aqui também não se tolera o desrespeito e a discriminação, bem como os crimes de injúria, calúnia e difamação, inclusive racismo, homofobia, xenofobia e outras tendencias intolerantes e preconceituosas. Aqui, o debate será sempre de idéias!